EWS Madeira: Análise Resultados Portugueses

Após a ressaca do Enduro World Series Madeira, que realizou-se no passado mês de Maio pela primeira vez em Portugal, resolvemos analisar a prestação dos atletas Portugueses em competição através de comparações de resultados. Infelizmente, não foi possível ter em consideração para análise os resultados atletas que não concluíram os dois dias de competição. Desenvolvemos um conjunto de gráficos comparativos de forma a perceber os resultados dos 'tugas' numa competição internacional que contou com mais de 95km de extensão e 4800 metros de desnível negativo. Um agradecimento especial a todos os que fizeram parte deste ponto na história da região!

GRÁFICO 1: Foram 29 atletas Portugueses a concluir os dois dias de competição, distribuídos em quatro categorias: MEN, MASTER MEN, U21 WOMEN e U21 MEN. O melhor tempo Português foi do atleta Emanuel Pombo (00:51:16). O melhor tempo da categoria MASTER MEN foi de José Salgueiro (01:05:48). Destaque para a atleta U21 WOMEN que acabou na terceira posição da sua categoria, mas bem cotada entre os Portugueses, alcançando um 23º lugar. O outro destaque vai para o atleta U21 MEN, João Nóbrega, que conseguiu o 10º lugar entre os Portugueses.

 

GRÁFICO 2: Os três atletas tiveram resultados muito semelhantes: Pedro Silva (91º), Alexandre Gouveia (93º) e Duarte Medeiros (95º). Conseguimos perceber pelo gráfico acima que o atleta Pedro Silva foi o atleta que começou pior a competição mas alcançou um 45º lugar na SS4, mas com uma competição marcada por momentos de pouca consistência, apresentando quebras notórias na SS1 e SS5 em comparação com os outros dois atletas. Por outro lado, o atleta Alexandre Gouveia foi melhorando a sua performance ao longo da competição, alcançando o seu melhor resultado na SS9 - mas com um percurso marcado pela consistência. Duarte Medeiros teve um bom início, mas uma quebra enorme na SS4: Abelhas, o que pode ter afetado a prestação do primeiro dia de competição. Mostrou uma boa performance física com resultados consistentes nas etapas SS1 e SS5, tendo o seu melhor resultado na etapa SS8, seguido de uma etapa para esquecer na SS9, que acabou por condenar o seu resultado final.

 

GRÁFICO 3: Fizemos a comparação entre dois atletas madeirenses, Paulo Batista e Daniel Pombo, que terminaram a competição no 76º e 85º posto, respetivamente. Os piores resultados de Daniel Pombo foram precisamente nas duas etapas mais físicas da competição (SS1 e SS5), compensado por um 63º lugar na SS7: Quatro Estradas, uma etapa de puro Downhill, algo que Daniel está habituado. Mostrou também uma boa performance na etapa SS6 mas estranhamente perdeu muito tempo na SS2. Por outro lado, é notável que as melhores etapas de Paulo Batista são as mais físicas, incluindo a SS3, onde conseguiu o seu melhor resultado. Após uma queda na SS7 (pior resultado da competição), só conseguiu retomar à normalidade na SS9.

 

GRÁFICO 4: Realizamos a análise à categoria MASTER MEN, através dos resultados de três atletas. José Salgueiro (atleta de Portugal Continental), Luís Melo (atleta dos Açores) e Davide Sousa (atleta da Madeira). O campeão nacional Master 50, José Salgueiro, sagrou-se o melhor atleta nesta categoria, alcançando o seu melhor resultado na SS5, mantendo boa consistência ao longo dos dois dias de competição, mas com uma pequena quebra no segundo dia para o açoriano, Luís Melo, que ganhou três das cinco etapas ao atleta nacional. Luís Melo alcançou o melhor resultado na etapa SS3, num percurso com 4.11km de extensão. Davide Sousa finalizou a competição em 28º lugar, onde perdeu imenso tempo na SS7, ficando apenas à frente de Luís Melo na SS1 e SS2.

 

GRÁFICO 5: O melhor atleta Português em competição, Emanuel Pombo, teve uma performance oscilante, condenada por um problema mecânico na etapa 'rainha' do Enduro World Series Madeira, SS3: Porto da Cruz. O atleta também deixou-se ficar para trás nas etapas com mais pedal, conseguindo compensar o tempo perdido em etapas mais rápidas e curtas, tal como o caso da SS4, SS7 e SS9, etapa final onde conseguiu um brilhante 4º lugar.

 

GRÁFICO 6: Fizemos uma análise entre os resultados do vencedor da competição, o Irlandês Greg Callaghan, e o melhor atleta Português, Emanuel Pombo. Tal como referido anteriormente, as etapas com mais pedal tornaram a tarefa quase impossível, onde na SS1 a distância era de 32 segundos. A SS3 foi marcada pelo azar mecânico mas também pelo esforço brutal para continuar em competição. A SS5, etapa com muito pedal, acabou por ser outro problema para Emanuel, que deixou escapar entre os dedos mais 18 segundos. Vendo do lado positivo, a performance de Emanuel compensou na SS4 e SS9, ambas etapas no finais do primeiro e segundo dia e ambas caracterizadas por muita velocidade. A etapa com características de Downhill (background de Emanuel), era a SS7, onde deixou fugir Greg por uns escassos 6 segundos. Pela nossa análise, o problema mecânico condicionou o primeiro dia do atleta Português que podia facilmente ter galgado mais de dez posições no ranking final.

 

GRÁFICO 7: Analisando as nove etapas, verificamos que a que tem um maior grau de inclinação (descida por distância) é a SS4 e a que tem menor grau de inclinação é a SS2. A etapa com maior distância foi a SS1 com 4.40km e a de menor distância foi a SS7 com apenas 1.47km. Em média, a distância das etapas rondou os 2.53km. Em média, o desnível rondou os 350 metros.

 

GRÁFICO 8: Tendo em conta a velocidade média por etapa, comparamos os resultados do 5º, 10º e 26º classificado. As etapas SS4 e SS7 ficaram marcadas pela mesma velocidade entre os três atletas, com médias a rondar os 30,0km/h e 24,7km/h. Foi na etapa SS5 que Emanuel Pombo teve uma velocidade média mais baixa e na etapa SS9 que atingiu a sua melhor prestação - aliás, conseguindo bater Clementz e Hill nesta que foi a etapa com velocidades mais altas. Na etapa SS1 a diferença de velocidade entre Pombo e Clementz é cerca de 5% e na etapa SS5 a diferença entre Hill e Pombo é cerca de 6%. No entanto, a prestação da etapa SS9 significou que Pombo foi mais rápido que Hill em cerca de 4%.

Foto em destaque: Tiago Nunes